Cyborgues entre nós!

Você pode não ver robôs por aí o tempo todo, como os "futurologistas" (é assim que se diz?) afirmavam no passado que hoje seria. Mas se você observar, várias coisas estão se encaminhando pra que você veja muitos cyborgues por aí em breve.

O primeiro humano a ser oficialmente considerado cyborgue foi o Neil Harbisson. Ele nasceu com uma estranha e rara deficiência oftalmológica: acromatopsia. É um problema de visão em que o portador é incapaz de enxergar cores. O cara vê preto e branco mesmo, não é como daltonismo.

Neil Harbisson
Pois então. Após descobrir esta anomalia em sua visão, decidiu dar uma volta na dificuldade e fez um upgrade na sua cabeça: instalou uma câmera na parte frontal da cabeça, que tem suas imagens convertidas em som por um pequeno aparato na parte traseira e envia aos seus ouvidos uma nota musical pra cada cor. Sendo assim, o Neil passou a literalmente ouvir as cores.


Como esse conjunto de câmera e conversor está sempre instalado nele e ele depende disso para suas atividades, ele foi considerado cyborgue e se tornou assim o primeiro homem a ser considerado oficialmente por um governo como um cyborgue.

Desde então vários outros surgiram, com pouca ou nenhuma repercussão na mídia. O último, e que me levou a escrever este texto, foi este garoto:

Grayson Clamp e seu pai
Grayson Clamp nasceu com o sistema auditivo quase perfeito, se não fosse o fato de não possuir os nervos auditivos ligando o ouvido ao cérebro. A família ainda tentou fazer cirurgias pra reconstruir o nervo ausente, mas não funcionava.

Então levaram o menino para o canto certo.

Na Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, médicos tinham uma solução que se encaixava perfeitamente como solução para o problema do Grayson. Eles implantaram um chip na base do cérebro dele, fazendo assim a conexão entre o ouvido e o sistema nervoso central.

E o resultado está aí: neste vídeo emocionante, Grayson Clamp ouve pela primeira vez o pai lhe dizer uma frase que ele provavelmente lembrará para sempre (e que me arrancou lágrimas):



E assim nasce mais um cyborgue. Um ser humano com parte eletrônica que lhe seguirá pelo resto de sua vida.

Há ainda outros tipos de adicionais que estão sendo testados e adicionados ao corpo humano na tentativa de superar várias deficiências e melhorar qualidade de vida.

Um dos homens que mais tem se destacado nessa área é o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Homem de planos ambiciosos na ciência, tem feito grandes avanços na área.

Miguel Nicolelis
Nicolelis pretende, na copa de 2014 aqui no Brasil, dar uma excelente demostração do que a neurociência aliada à mecatrônica pode fazer. Ele é o co-diretor do centro de neuroengenharia da universidade de Duke, EUA, e se dedica há 20 anos ao desenvolvimento de um exoesqueleto controlado diretamente pelo cérebro.

O exoesqueleto está em fase final de desenvolvimento e tem sua conclusão prevista para setembro deste ano.
Modelo do exoesqueleto do projeto Walk Again
A ideia de Miguel Nicolelis é fazer um paraplégico com lesão medular se levante por si apenas com o auxilio do exoesqueleto, caminhe até o gramado e dê o chute inaugural da copa do mundo.

Sim, isso é extraordinário.

Não é o primeiro exoesqueleto, mas com certeza será um avanço muito grande.

As pesquisas e desenvolvimento de formas de melhorar a vida de pessoas deficientes ou aumentar as capacidades de pessoas comuns não param e não duvido que logo logo seja normal você topar com pessoas capazes de coisas extraordinárias (para o momento em que este texto foi escrito).

Até mais.

Referências:
[Olhar Digital] Garoto surdo passa a ouvir graças a chip no cérebro
[P3 Portugal] Neil Harbisson é o primeiro humano oficialmente reconhecido como "cyborg"
[UOL Notícias] Exoesqueleto que fará paraplégico andar será testado em setembro, diz Nicolelis

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